Rumores e Ruínas entre Sóis - UOL Blog
Profanos Pontífices

Deveras real foi o sentimento inserido nesse corpo já cansado de tantas labutas e lamúrias, fatigado pelo mal ocupado em meu já tortuoso coração. Incomensurável dor apõe-se nessa carcaça morta-viva que serei obrigado a carregar através dos séculos.

A sede de sangue e vingança cada vez mais está tornando meus sentimentos mais negros e afastando-me da minha primeira natureza, a humana. 'Qual será a sensação de ter um predador como amigo?' É o questionamento que sempre faço a mim mesmo enquanto lembro das pessoas que passaram em minha vida no começo da minha jornada, e elas diziam não se importar com tal fato.

Ainda hoje lembro o horror causado quando a Fera resolveu mostrar sua verdadeira face àqueles pobres mortais. Como desejaria voltar e consertar este pequeno equívoco. Mas apenas a aridez mórbida da Dama Negra vem ao meu encontro para consolar as lágrimas gélidas que não caem mais.

Traduzo essa sensação como um karma que devo levar como fardo por muitas gerações e corro atrás de mim mesmo no ritmo frenético da própria civilização que se diz humana.

Felicito aos que conseguem ainda manter suas sanidades vendo as atrocidades que os próprios "homens" se degladiando por um mísero pedaço de carne, mas não por instinto de sobrevivência, e sim pelo mero prazer de mostrar poder e selvageria. Vou acabar com isso, beberei do sangue selvagem e deleitar-me-ei nos braços de minha fera interior.

Cálidos ósculos

Falkon, O Gangrel

Inegável Afetação!

Sublimes sois vós, que nada temem da escuridão eterna, vivendo na ignorância de seus próprios seres, imbuídos de tanta sabedoria que nem se dão ao luxo de procurar aquilo que está escondido nas próprias entranhas da solidão perene. Encontreis em vossos corações os dilemas catastróficos de luxúria e poesia que dizem ser a paixão ardente que nasce por uma razão cruel e dilacera a própria trama da realidade.

A cada momento de lágrimas amargas neste pérfido coração desanimado por inefáveis conjecturas da alma, podres poderes que precedem o Fim dos Tempos em pequenas lacunas de desespero e dissabores, lamúrias cantadas em versos cacófatos na alma que jaz em fértil solo e mergulhada nas maiores profudezas da incerteza.

Considero-me deveras sortudo, pois com os gritos sôfregos das vítimas da falta de caráter alheia, ainda posso retirar meu sustento das vítimas embriagadas da falata de esperança e sorver seu líquido vital que desce quente e amargo pela garganta e reaviva meu inóspito coração.

Falkon, O Gangrel

Perene angústia e desolação

Capitulado mais uma vez nas mãos, encontro rígido o cadáver que completou minha lasciva vontade de alimentar meu ego. Mais uma vez liberto a fúria cega da remissão sobre a pobre vítma que jaz, e agora, sem as vísceras no frio solo que lhe servirá como túmulo. Completo mais uma vez o ritual e saio satisfeito por não ter que me preocupar com a Dama Negra, cujo toque congelaria até mesmo o mais bravo e nobre dos cavaleiros e o olhar faria trair até o mais incorruptível dos seres.

Desgastado com a força de minha ira, caminho pelas estepes de ossos enegrecidos, com o odor do desespero ao meu redor e ameaço os fantasmas dos mortos com grunhidos guturais e deixo o sangue ferver, somente para sentir as veias pulsando novamente e corro para o cume da pilha mais alta e de lá liberto o grito de insanidade que recobre o campo putrefado.

Desperto alguns esqueletos para me fazer companhia durante minha jornada ao centro do Inferno que tornou-se minha própria alma e deixo-me levar, como gado ao abatedouro, aos confins de minha sombra. Que as trevas não tenham piedade de atacar, pois não vou sucumbir a reles poderes. Levarei o espírito da caça ao limite da exaustão e depois alimentar-me-ei dos despojos ensanguentados de sua vã fuga em busca de liberdade.

Tempestuosa afeição

Falkon, O Gangrel

Desencontro do destino!

Saudações aos mortais que me alimentam,

Aceno às almas deveras exaustas pelo caminhar pelas trevas imensuráveis, tropeço nas lamúrias angustiantes dos gritos lascinantes que me evisceram. Corro pelo desespero altruísta, desvio de minha própria alma partida e atropelo meu amor incansável pelo simples prazer de vê-lo sofrer.

Definhando na encosta amarga, reina a toda poderosa Fome que consome seus próprios filhos pela sua necessidade insaciável, e traz consigo a compulsão por mais sangue e carne. É provável que me culpem pelos erros matreiros cometidos, mas poucos sabem das verdadeiras razões que levaram ao fundo do abismo.

Trago a espada da justiça em minha cinta, mas não a uso por medo de que ela volte-se contra mim e realmente possa me dar a tão sonhada Morte Final. Mas por que tenho tanto medo daquilo que mais desejo? Talvez nunca encontre a solução para isso, então vago mais um pouco pelo Vale das Sombras a procura da resposta.

Minha peregrinação continuará enquanto houver um único sopro de vida em mim.

Cálidos ósculos em suas jugulares.

 

Falkon, O Gangrel

Santo retiro banhado a sangue

Ignóbil ser que se contorce pela dor que suplanta a angústia venenosa do ser demente que o cerca. Penhascos errantes que trazem as maledicências profanas ao meu íntimo momento de prazer desgarrado e vil, deliciando-me com a carne apodrecida.

Deveras sorte que me acompanha neste ritmo alucinante de almas partidas e solitárias que vagam no campo florido da Dama Negra e sempre de mãos dadas com o Ceifador Sinistro. Corro em direção ao ódio que me cerca e encontro no final da estrada o abismo que espera com sua garganta aberta esperando pelo próximo inocente que será devorado por seus infortúnios.

Liberto-me dessa prisão arrancando as garras que me acolheram apenas com um simples gesto de súplica, implorando pela dádiva do sangue novo que escorre pela encosta íngreme do Vale da Morte.

Gélidos sopros de morte.

 

Falkon, O Gangrel

Senhores sombrios e contos sórdidos

Palacianos,

Deveras indulgentes para com um simples e reles mártir que consome a si mesmo pelas perdas anteriores de seu próprio ser e perdido nas faculdades mentais que outrora lhe foram outorgadas.

Contínuo putrefamento de minha própria razão em detrimento das emoções que consomem a minha lânguida alma, não mais tomo partido nesta guerra que se espalha pelo restante de meu ínfimo ser. Apenas fico como um observador nas partes mais distantes de meu torpe consciente.

Entrego minha própria vontade ao desespero que se apraz de mim e empedernece em meus devaneios mais sombrios, recorrendo às mais sórdidas ilusões para trazer à tona meus piores desejos e emoções.

Mais uma vez aqueço a Besta que em mim habita tornando-a mais voraz e temida por aqueles que podem ser considerados meu sustento. Bebo de sua vida a minha própria existência e faço disso meu mais simples prazer.

Abraços cálidos.

Falkon, O Gangrel

Lágrimas do lobo solitário

Ao caminhar pelas ruas insandecidas e caóticas do meio urbano, compreendo pateticamente a ideologia humana, corrompida pelos milhares de afazeres e absorvida pela biltre alma anestesiada. Carrego no olhar o peso da brutalidade a que fui exposto e contenho a lágrima de sangue  que teima em escorrer pela minha face maculada.

Lembro de todas as vítimas que seriam poupadas se não fosse pelo mal que a Fome traz à tona, minha caçada torna cada vez mais claro que não mais existe salvação, mas teimo em encontrar uma luz no fim do túnel e hei de encontrar, pois assim serei exemplo que poderá ser seguido e não mais terei de alimentar-me da inocência corrompida.

Procuro em minha alma a resposta para o dilema entre alimentar-se e preservar a humanidade e ainda não encontro a resposta, mas não hei de desistir pois sei que tenho a eternidade para encontrar a resposta e espero encontrá-la antes de ser abandonado pelos sentimentos que me atingem, vou a mais uma caçada.

Falkon, O Gangrel

Crime e castigo pelos pecados esquecidos

Em minha insanidade momentânea, lembrei da força que explodia em meu peito clamando por sangue, vísceras e carne. Encontrei a flecha do desespero fincada no mais profundo sentimento e a mágoa envolvendo meu ser já sem esperança.

Procuro, em vão, clamar minha salvação e perdão aos céus pelos erros cometidos, mas se nem eu mesmo consigo perdoar algo tão vil, qual a garantida que outros irão afagar-me como se faz a uma criança em franco arrependimento.

Um mau presságio me persegue. Sinto que o fim está próximo, mas será o meu? Terei direito ao descanso que tanto almejo? E somente o som do vento uivante responde minha existencial pergunta e açoita meus flancos com a violência de uma tormenta. Escondo o próprio rosto pela vergonha de ser um dos braços do mal e tento me punir com minhas próprias lembraças já absorvidas pelo orgulho doentio que trago em meu íntimo.

Ouço passos próximos e retorno de mais um devaneio insano para a cruel realidade que me cerca, tenho a plena certeza que serei pego por mais esse crime hediondo, mas o instinto de sobrevivência eleva-me ao topo da mais alta árvore onde vejo com atenção que a natureza possui métodos de eliminar aquilo não está mais adaptado.

Recosto minha cabeça nos galhos mais altos e tento uivar em sinal de respeito a essa caça que me trouxe o prazer de ser livre novamente, sinto o sangue ainda quente em minhas veias, mas choro em lágrimas de sangue o pecado de meu próprio coração.

Mentalmente entôo o réquiem para mais um ser dilacerado pelas máculas nascidas de um ser noturno, ouço o canto da natureza entristecida pela perda de mais uma vida e salto em direção a um local seguro onde poderei encontrar novos ares de sangue fresco. A Fome continua, a Besta toma conta, e o corpo reage a esses estímulos da forma mais apropriada, preparando-se para mais uma caçada sangrenta.

Viajo com o vento às minhas costas, sendo impelido a caminhar em direção à mais uma vítima. E me pergunto se algum dia poderei estar livre dessa Maldição e sinto o cheiro de um novo caçador às minhas costas.

Giro em torno de meu próprio corpo e encaro meu rival, seria essa a resposta às minhas preces? Saberei assim que dilacerar seu corpo e engolir seu coração...

Falkon, O Gangrel

Espelhos da carnificina.

Carregando para dentro de mim a loucura insensível da morte, pereço aos poucos na angústia do sangue derramado. E criando à minha volta um único momento de lucidez, um odor característico, o perfume da última pessoa que amei com a força de uma alma imortal, mas que me foi tirada pela traição de mim mesmo. Imperdoável. A confa que se tornam meus sentimentos depertam-se para a mais cruel realidade: Estou abandonado à própria sorte por motivos egoístas e decisões mal orientadas pelas deturpadas sensações que me revelam.

Arraigado em minha alma encontra-se a àscua do ódio crescente pela "humanidade" que se diz sempre tão benevolente, e lembro-me das palavras ditas pelos puros que a pior maldade é deixar de praticar o bem. Por mais deturpada que seja minha visão e meus sentimentos tenho certeza que essas palavras são parte de mim, mesmo que estejam em um lugar que não vejo muitas vezes.

E na tentativa fracassada de um habilhamento de minhas hediondas ações, uivo aos ventos para que levem meus pecados para longe de mim, tornando-me mais senhor de mim mesmo. Infelizmente tenho a sensação que sucumbo à Fera Interior que devora minha razão e me traz a fome novamente pelo cheiro do sangue fresco não muito longe.

Uso de meus dons para seguir minha nova vítima que ainda está alheia a minha presença, e permanecerá alheia até que eu resolva mostram-me com toda a fúria. Pobre mortal, não imagina que destino mais cruel foi reservado a ti, somente por estar no lugar errado e na hora errada.

Fecho meus olhos para que não vejam a corrupção do ato que cometo, e me sacio com o sangue de mais uma vítima. Sinto o mesmo cheiro de perfume e encontro um embrulho com um endereço, verifico o local, dirijo-me à residência do cartão e deixo no peitoral da janela o pacote com o presente para que existam lembranças.

Serei humano ainda por importar-me com tais futilidades, ou isso é apenas mais um dos caprichos de minha mente para que eu mantenha determinado controle sobre a maléfica mão que tenta envolver-me mais?

Retorno mais uma vez à segurança de meu refúgio e prostro-me diante do pequeno altar feito em barro para tentar ser mais uma vez perdoado pelos atos irremissíveis, e mais uma vez não ouço resposta, mas não perderei a fé.

Falkon, O Gangrel

Lúgubre poesia do bardo.

Encostado na pedra da solidão, presto atenção nas finas camadas de desespero que se formam como musgo em meus sentimentos, reconforta-me a leveza de ser pisoteado por meus próprios atos. Cubro meu rosto em sinal de remorso pela linda noite que irei profanar mais uma vez com o sangue daqueles que ignoram minha presença.

Estou mais vivo agora do que quando ressurgi, sinto mais claramente a brisa na fronte enquanto procuro pelo odor amargo de sangue novo, sinto minha veias pulsarem debaixo da pele com a sensação de uma nova presa que se aproxima e sinto meus pêlos ficarem arrepiados com a sensação de uma nova caçada.

Quase esqueço as atrocidades cometidas por mim enquanto estou neste estado, mas tenho comigo o cordão que representava nosso amor e ao olhar pra ele vejo a maior de minhas mentiras, prometi que não te faria mal algum e não consegui cumprir algo tão simples.

Saindo de minhas antigas vestes, parto para mais uma caçada selvagem e refaço minha promessa de esquecer que fui o único responsável pela sua morte, e mesmo com essa sensação de liberdade e a adrenalina de um predador não consigo esquecer-te por um só instante.

Volto com mais sangue em minhas mãos e dedico minha própria destruição às trevas que me circundam.

Que minha sanidade seja mantida.

Falkon, O Gangrel




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