Rumores e Ruínas entre Sóis - UOL Blog
Impiedosa morte tranquila

Conivente ao fato de ser tão vil e barato, o ardor que sobre mim paira e crava suas garras inquietas no sangue que escorre pelas pústulas abertas no lombo já cansado, não mais teme a reação que ficou empedrada no pensamento mórbido do desejo de perecer ao sabor do sibiloso vento do pântano.

Sublime tempo balança a relva ainda freca da primavera que acaba de surgir e traz consigo novas presas para serem violentamente caçadas nestes áridos campos cobertos de lodo fétido e em decomposição, e sem ao menos ter tempo para fustigar os malefícios encrustados na pele corro atrás de minha primeira vítima para saborear seu sangue e sua carne como um manjar ou mesmo uma dádiva divina que sei ser profana pois Ele não queria que sua criação matasse a tanto sangue frio, apenas o suficiente para sobreviver sem molestar outra criatura e nem apavorá-la como fiz.

Invertido o sentido do vento, pude sentir o aroma da terra próxima que, ainda pura, não pretende ceder lugar a uma criatura noturna com hábitos tão peculiares e muito menos com sentimentos tão torpes, recobro minha desvairada consciência e termino meu doce jantar para sonhar com o dia em que não mais terei de satisfazer meus mais baixos instintos animalescos para sobreviver neste infecto lugar.

Que seja derramada a neve no fogo crepitante de nosso ódio.

Falkon, O Gangrel

Leviandades cotidianas

Impetuoso frio que cobiça o calor do meu coração ainda pulsante nas altas montanhas do gélido ser que ainda sou, sombria farsa que no ímpeto de agarrar minha reles sanidades esculpiu o mau caráter na mente já insandecida pelo ódio encrustado na rocha do abismo do medo.

Inquieta meu ser o simples fato da dor interna ser tão insuportável que o desejo da morte foge corroendo a própria espinha dorsal transformando o lago sereno em cristais afiados, mas nada comove mais que a perda da memória que foi deveras insconstante nestes últimos séculos de torpor.

A incólume ignorância que ainda me abraça e me salva das terríveis criaturas que assombram a noite ainda traz, em partes, a esperança que um dia foi expulsa de meu ego e não pode voltar por estar presa novamente na Caixa de Pandora que tornou-se a selva infecta de minha mente.

Trago a vós somente pequena elucidação das pedras colocadas sobre nossos ombros pois encontro a cada dia mais obstáculos para chegar à superfície.

Que o cortante vento Ártico possa demonstrar compaixão e nos entregar sua solidão.

Falkon, O Gangrel




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