Rumores e Ruínas entre Sóis - UOL Blog
Litania pela morte incerta.

Pelas veredas tortuosas da fome, incastas idéias devaneiam nesse redemoinho de corrupção. Sinto arder as entranhas já apodrecidas pelo tempo e nada me fará melhor que sorver mais das almas daqueles que me desafiam e rendem-se após labutas infrutíferas por parte destes insignificantes seres.

Mesmo sendo criado dentro dos mais altos padrões de etiqueta, não tenho vergonha de tornar-me lapuz ao encontrar meu alimento, haja visto que cegarei meus sentidos em prol de minhas necessidades.

Na beira do abismo é quase certa a queda de mais um corpo exaurido e totalmente sorvido pelas presas as quais fui presenteado, já não é mais novidade encontrar o pavor nos olhos das presas, mas ainda fascina-me esta visão.

É certa a falta de compaixão diante da morte certa, mas intriga-me o prazer daqueles que se entregam por livre vontade de serem devorados pela luxúria e desespero diante da Dama Negra.

Falkon, O Gangrel.

Profundo torpor em mares revoltos

Finalmente tenho a tranquilidade de Morpheus e posso cerrar os olhos, mas sinto a vertigem tomar conta da pouca consciência que tenho e sou arrastado para o fundo do abismo gelado de minhas próprias lembranças sem poder reagir e nem gritar.

Estou dormindo, mesmo convencido que estou morto, estou dormindo e nada poderá mudar essa visão já que a cratera aberta pelo desespero de um coração em migalhas ainda perdura chorando pela amada não mais sentida.

Incólume véu que não permite sequer a translucidez dos fatos, as sombras formadas já não lembram nada e o calor amigo dos humanos não tem serventia para a eternidade.

Durmo agora para preparar-me para a grande caçada onde finalmente serei o caçador e não mais a caça. Mas por que tenho esse pavor no coração? Será que não estou mais fazendo parte da cadeia alimentar?

Falkon, O Gangrel

Cantigas etéreas nos braços do devaneio

Incomoda-me a fixação do ser na alma partida pelos fortes ventos da tribulação onde é fácil ver a decadência progrssiva do ser humano ao ser tentado pela riqueza sem fundamento dos bens materiais. Quão fácil é comprar uma alma com tantas migalhas, chega a ser ridícula a corrida contra o tempo quando não mais existe salvação.

O fogo-fátuo aparece cada vez mais no solo desse cemitério de lamentos e torna-se interminável a busca pelo Santo Graal para finalmente ter uma vida eterna de bem-aventuranças. Mas poucos terão a oportunidade de saber que o sangue imundo que engole as vísceras pútridas e cancerosas não vai recuar perante tanta maldade que o alimenta e torna-o mais vigoroso.

Inacreditavelmente as súplicas para que o Anjo da Morte apareça para acabar com a desgraçada vida não mais aparece e os gritos agudos das almas congelam o resto de coragem do coração valente. Encurto as memórias para que não seja tragado de volta ao inferno insandecido de onde parti e não mais pretendo aparecer.

Ósculos flamejantes.

Falkon, O Gangrel




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