Cantos líricos atraem minha mente ao mais alto pedestral intocável da leveza bucólica no interior da podridão insana e da vontade incontrolável de saciar a minha sede de poder e naum posso interferir na forma como sou mostrado ao mundo pois fui parido pela calidez de um ventre infectado pelo ódio num lugar onde poucos sobrevivem.
Consumido pela voracidade incansável do furacão insandecido e pela fúria cega de meus agressores, sinto as cicatrizes latejarem em meu lombo já cansado e exposto às viróticas formas do veneno humano que me contamina e mesmo sendo o predador corro como presa para que o cheiro fétido da minha própria insensatez não recaia sobre meus pecados.
Com a intenção de tornar-me mais forte, refaço meus passos no sereno lago do sono e ainda tento tragar a brisa límpida da pureza que foge de meus pulmões como um dia fugi de meus erros.
Aguardo pela última chance de me deparar comigo mesmo antes de alimentar meu ego já castigado pela dor da perda e revejo a luz da esperança no horizonte do meu ser e finalmente arranco forças do âmago largado às traças por trevas carnívoras e sinto-me revigorado a caçar novamente.
Falkon, O Gangrel
Sentado à beira do lago profundo, espero pela resposta incerta das vidas que se foram pelas minhas mãos e tenho carregado o fardo da ignorância por um longo caminho e não desisto de encontrar aquilo que um dia poderá trazer-me aos belos devaneios feéricos.
Entôo mentalmente um réquiem pelas almas perdidas e incluo minha solidão nessa miscelânia disforme formada pela imposição sepulcral de meu ser, mas não obtenho a resposta almejada e tampouco fulgurar entre as criaturas mais temidas da e pela própria Dama Negra que com seu fosco brilho faz-me caminhar sobre os tições aquecidos pela insegurança de meus próprios pensamentos.
Terei encontrado o caminho pelo qual muitos tentam passar ou mais uma vez o egocentrismo gerado pela minha torpe sensação de bem-estar confunde a visão um dia perfeita da maleficência? Uma pergunta deveras incomum vinda de um ser não mais comovido com a tocha da iluminação divina sedento pela vitae daqueles que um dia tornaram-se amigos.
Carrego este pequeno cemitério de dúvidas e lampejos de insanidade com o mais profundo carinho pois sei que tudo será apático quando o verdadeiro momento de encarar a verdade me encontrar e ardentemente desejar a minha putrefada carne e fazer-me sucumbir aos seus mais loucos desejos.
Falkon, O Gangrel
![]()
|
||||