Lentamente caminho mais uma vez à beira do abismo apenas olhando para a paisagem formada pelos cadáveres putrefados e pelos ossos expostos. Encosto meu corpo já cansado pela andança sem rumo na pedra polida pela erosão e tento tornar-me uno com ela e quem sabe rir das minhas próprias lamúrias.
Encontro em mim a verdadeira alma de caçador e não mais intento em manter-me obscuro aos fatos, mas ainda sinto o grito da humanidade em mim, queimando meu coração com uma força nunca vista e nem sentida antes. Não quero afogá-la em sua própria mágoa, por isso convenço-a que isso é apenas meu instinto de sobrevivência.
Quando finalmente acordo de meus loucos devaneios sinto a fome tentar devorar-me novamente e sinto que hoje a caçada será produtiva e meu ego será saciado como real caçador que sempre fui.
Lanço-me na noite eterna mais uma vez a procura das vítimas perfeitas, as difíceis, e atento meus sentidos para mais uma vez sair e dessa vez sinto o gosto da minha caça no vento que me acaricia a fronte.
Boa caçada a ti, pois a minha será ótima.
Falkon, O Gangrel
Encantado com o significado da flâmula tremulante nos dias vindouros caminho novamente rumo ao pedestal que me aguarda para mais uma jornada na carnificina cotidiana das sombras elementares, e encontro no vulto do Velho Sábio parte das perguntas que nunca serão respondidas a um mero andarilho das trevas.
Cantigos profanos ecoam em mim, acalentados pelo desespero infame que pulsa cada vez mais forte na morada do Sacerdote do Lúgubre. Lentamente abro brechas na mata que se estende tentando encontrar o caminho de volta pra casa e descubro, para meu desalento que pouco posso fazer agora que já estou corrompido pelas maledicências do mundo e condenado a vagar solitário na jornada da não-vida.
Incumbo meu próprio ego a transmitir minha falha àqueles que tentam aderir a essa falsa caminhada e tenho certeza que não serei ouvido por muitos, mas tento avisar aos novatos que tudo será usado contra eles, até mesmo seu próprio sangue coagulado nas veias durante o frio.
Levanto a fronte de meus inimigos já caídos para admirar a podridão deixada por seus rastros e jogo-os de encontro ao cão infernal que os aguarda salivando de prazer e ódio, e enquanto tento criar coragem para também me atirar ele ri de minha própria disgraça fazendo-me conquistar mais almas torpes para seu deleite.
Servo da escravidão sombria que suga minha vontade de amar, sigo novamente a procura de novas criaturas que farão parte do exército maldito no dia do julgamento e rezo para que não tenham sucesso, mesmo que para isso seja necessário entregar minha própria alma ao desespero e insanidade. Quero congelar meu próprio sangue envenenado para que morra agonizando, mas tenho medo de descobrir que não mais serei salvo pela minha parca humanidade.
Ósculos do dragão-de-sete-cabeças
Falkon, O Gangrel
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