Cruzando os céus nublados, estão os corvos de mau presságio, aparentando novamente que a tempestade irá desestabilizar os finos cordões da sanidade, trazendo a pestilência fúnebre que habita no coração do ser humano. Mas isso não mais me incomoda, já tenho a convivência de meus adoráveis cadáveres que me acompanham pelos becos mais escuros e profanos da vida.
Escondo minha face caricata no manto da solidão e espero pelo pior, o cheiro fétido dos corpos espalhados pelos ladrilhos imundos dos guetos infecta meu olfato com o cheiro ácido da podridão e descaso. Mas não tenho do que reclamar, pois dessa forma o alimento de minha insanidade chega com mais pressa para ser devorado pelas minhas presas carniceiras.
Entretenho-me com um jovem casal que, alheio aos avisos, caminha despreocupadamente em direção a um grupo de atitudes duvidosas... De cima do prédio vejo o casal ser abordado por aquele que se auto-entitula o líder do "bando"... HA! Que belo bando... de panacas... mal sabem que minha fome aumenta com esse tipo de mesquinharia.
No momento que o casal está prestes a ser atacado faço-me presente e mostro minha verdadeira intenção... OH! GRANDE LÍDER!... Que tal conhecer o local que escolhi para seu túmulo? Venha, acompanhe-me na derradeira espiral rumo ao próprio inferno... Realmente não foi bonito, mas acho que impressionei... Afinal todos ficaram estáticos devido minhas presas, garras e olhos de caçador estarem visivelmente à mostra.
Degusto tranquilamente o líder, deixei que os outros corressem, mas é estranho que o casal tenha ficado, serão possíveis caçadores? ou apenas curiosos? Não importa, deleito minha Besta Interior com o sangue fresco daquele que já causou muito sofrimento à população quase inocente e ainda tinha coragem de dizer que era um cara "limpo".
Agora realmente é, não me atenho mais a detalhes mortais, e nem pretendo entendê-los, gosto de fazê-los meus animais de estimação, principalmente os mais selvagens.
Continuarei a minha caçada outro dia, pois hoje tenho uma nova oportunidade de apreciar a mortalidade com novos "amigos".
Ardentes ósculos da profanação.
Falkon, O Gangrel
Acordo mais uma vez com o pio das corujas entre as árvores tombadas no bosque da solidão, tento encontrar o caminho da luz por sombras cada vez mais fúnebres e tortuosos caminhos crepitantes, mas já não ligo para o fogo que me consome.
Lentamente constuo o Muro das Lamentações em minha mente para as almas já aprisionadas devido ao cemitério que carrego, a visão pútrida dos corpos decrépitos em meus sonhos tornam-se cada vez mais constantes e trazem o Mal que habita na parte mais lúgubre de meu coração negro de caçador noturno.
Invoco meus demônios internos para abafar o sentimento de culpa que me foi imposto pelos apedeutas que se dizem grandes sábios e servos de um senhor de Amor, mas que somente mataram, estupraram e lavaram suas próprias mãos durante a Idade das Trevas e que acreditam que um simples pedido de desculpas ira acalmar as almas daqueles que foram brutalmente assassinados pela ignorância de um povo manipulável.
Todos merecem o castigo que lhes imponho, e não terei piedade dos clérigos assassinos que encontrar.
Mais uma vez o gosto amargo da vingança abraça meu coração e caminha em rumo da minha torpe visão, expludindo em fúria cega a procura de mais uma presa para deliciar minha fanática perseguição contra os que levantaram a mão contra meus filhos.
Clamo às Antigas Terras, forças para aniquilar meus perseguidores e paciência para levá-los ao mior temor antes de acabar com seus corações corrompidos.
Abraços cálidos do Grande Iceberg,
Falkon, O Gangrel
Os anos passam e continuo vendo os mesmos erros em tudo, por mais que seja certo o ciclo das ações, nada mudou durante esses anos. AS esperanças ainda são as mesmas e não têm pretensão de mudar, chega a ser frustante saber que a eternidade nada mais é que uma série de fatos circulares em busca do primeiro ponto original.
Divago pelos meus próprios pensamentos à procura dos antigos pertences de minh'alma e encontro apenas escombros sombrios daquilo que um dia foi vivo, mas não dou a devida importância, afinal a fome está muito próxima e ira consumir o restante da consicência pútrida que me foi deixada.
E quanto mais me dou conta do monstro que me torno, mais enxergos os cadáveres que jazem em meus mais profundos temores, e faço as preces que não guardam mais fé nesse coração fustigado pelo ódio e desespero cáusticos de minha deplorável não-vida.
Mas qual a finalidade de tanto lamúrio? Qual a prova que tudo não passa de mera ilusão? Quem pode dizer que isso não seja bom?
Invoco mais uma vez a Besta que invade meu ser atrás de sangue fresco e novas vítimas que se dizem inocentes. Quase sinto pena deles, verdeiramente quase. Mais ainda tenho o consolo de que, mesmo sendo o mostro da história que invade a mente de pessoas que aterrorizadas gritam e desesperam-se por suas miseráveis vidas, todos merecem o trágico destino que os aguarda em minhas presas já sedentas de uma nova caçada.
Parto mais uma vez em direção ao velho beco para aguardar pacientemente pela minha próxima vítima que será deliciada com muito mais prazer essa noite.
Falkon, O Gangrel
![]()
|
||||