Rumores e Ruínas entre Sóis - UOL Blog
Lúgubre poesia do bardo.

Encostado na pedra da solidão, presto atenção nas finas camadas de desespero que se formam como musgo em meus sentimentos, reconforta-me a leveza de ser pisoteado por meus próprios atos. Cubro meu rosto em sinal de remorso pela linda noite que irei profanar mais uma vez com o sangue daqueles que ignoram minha presença.

Estou mais vivo agora do que quando ressurgi, sinto mais claramente a brisa na fronte enquanto procuro pelo odor amargo de sangue novo, sinto minha veias pulsarem debaixo da pele com a sensação de uma nova presa que se aproxima e sinto meus pêlos ficarem arrepiados com a sensação de uma nova caçada.

Quase esqueço as atrocidades cometidas por mim enquanto estou neste estado, mas tenho comigo o cordão que representava nosso amor e ao olhar pra ele vejo a maior de minhas mentiras, prometi que não te faria mal algum e não consegui cumprir algo tão simples.

Saindo de minhas antigas vestes, parto para mais uma caçada selvagem e refaço minha promessa de esquecer que fui o único responsável pela sua morte, e mesmo com essa sensação de liberdade e a adrenalina de um predador não consigo esquecer-te por um só instante.

Volto com mais sangue em minhas mãos e dedico minha própria destruição às trevas que me circundam.

Que minha sanidade seja mantida.

Falkon, O Gangrel

A insuportável grandeza do ser.

Entre as cortinas que se abrem para mais este ato hediondo da tragicomédia que é a incapacidade de ser mortal, olhando pelo vão da cripta de meu próprio ser e vislumbrando a iniquidade de todos, corrompe meu coração a saga dos atos grotescos aos quais fui exposto sem ao menos pedir.

Rompendo os céus deveras estrelados, canto litânias de adoração a alguém que não deveria ter o menor interesse em mim. Sou predador, sou caça, sou um ser de trevas e me alimento do seu medo, do seu ódio e do seu orgulho.

Carrego nas veias os pecados daqueles que já pereceram e que ainda vão perecer pelas minhas presas, fujo dos olhares distantes a mim lançados para ter um pouco de privacidade em meu próprio ser e sinto cada vez mais que a melancolia da vida instaurou-se em meus sentimentos. Abdico do trono de déspota de mim mesmo em favor dos "inocentes", mas como julgar alguém inocente se não consigo por mim mesmo perdoar-me pelo que fiz? Agarro minhas vestes em um ato desesperado de arracar as impurezas que me corroem por dentro, grito aos quatro ventos para que me deixem ter meu último suspiro, mas em foi tudo em vão, sinto-me mais uma vez abandonado à própria sorte prostrado ao lado de mais um corpo que jaz, um corpo de alguém amado por mim.

Pergunto a mim mesmo onde foi o erro e recebo como resposta apenas o silêncio da noite que me afaga com suas gélidas brisas e me despertam para um novo amanhã, onde mais uma vez serei obrigado a saciar a minha fome com o sangue quente dos mortais, sem poder apaixonar-me novamente, não quero mais sentir o gosto amargo da desilusão e nem ser abandonado por aqueles que amo. Em torno de meu coração fustigado, crio uma barreira de cristal para proteger-me das garras da infâmia e do julgamento alheio, escondo meu rosto do espelho de minha alma, e renego os meus próprios sentimentos.

Até quando serei essa aberração? Quem estaria disposto a concerder um momento de afeto a um ser desprezível?

Detenho-me mais uma vez, esperando pela morte que me abraça e diz que não sou digno dela.

Falkon, O Gangrel




[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, INDAIATUBA, ITAICI, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Informática e Internet, Games e brinquedos, RPG
MSN - falkon_gangrel@hotmail.com