Em minha insanidade momentânea, lembrei da força que explodia em meu peito clamando por sangue, vísceras e carne. Encontrei a flecha do desespero fincada no mais profundo sentimento e a mágoa envolvendo meu ser já sem esperança.
Procuro, em vão, clamar minha salvação e perdão aos céus pelos erros cometidos, mas se nem eu mesmo consigo perdoar algo tão vil, qual a garantida que outros irão afagar-me como se faz a uma criança em franco arrependimento.
Um mau presságio me persegue. Sinto que o fim está próximo, mas será o meu? Terei direito ao descanso que tanto almejo? E somente o som do vento uivante responde minha existencial pergunta e açoita meus flancos com a violência de uma tormenta. Escondo o próprio rosto pela vergonha de ser um dos braços do mal e tento me punir com minhas próprias lembraças já absorvidas pelo orgulho doentio que trago em meu íntimo.
Ouço passos próximos e retorno de mais um devaneio insano para a cruel realidade que me cerca, tenho a plena certeza que serei pego por mais esse crime hediondo, mas o instinto de sobrevivência eleva-me ao topo da mais alta árvore onde vejo com atenção que a natureza possui métodos de eliminar aquilo não está mais adaptado.
Recosto minha cabeça nos galhos mais altos e tento uivar em sinal de respeito a essa caça que me trouxe o prazer de ser livre novamente, sinto o sangue ainda quente em minhas veias, mas choro em lágrimas de sangue o pecado de meu próprio coração.
Mentalmente entôo o réquiem para mais um ser dilacerado pelas máculas nascidas de um ser noturno, ouço o canto da natureza entristecida pela perda de mais uma vida e salto em direção a um local seguro onde poderei encontrar novos ares de sangue fresco. A Fome continua, a Besta toma conta, e o corpo reage a esses estímulos da forma mais apropriada, preparando-se para mais uma caçada sangrenta.
Viajo com o vento às minhas costas, sendo impelido a caminhar em direção à mais uma vítima. E me pergunto se algum dia poderei estar livre dessa Maldição e sinto o cheiro de um novo caçador às minhas costas.
Giro em torno de meu próprio corpo e encaro meu rival, seria essa a resposta às minhas preces? Saberei assim que dilacerar seu corpo e engolir seu coração...
Falkon, O Gangrel
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