Deveras real foi o sentimento inserido nesse corpo já cansado de tantas labutas e lamúrias, fatigado pelo mal ocupado em meu já tortuoso coração. Incomensurável dor apõe-se nessa carcaça morta-viva que serei obrigado a carregar através dos séculos.
A sede de sangue e vingança cada vez mais está tornando meus sentimentos mais negros e afastando-me da minha primeira natureza, a humana. 'Qual será a sensação de ter um predador como amigo?' É o questionamento que sempre faço a mim mesmo enquanto lembro das pessoas que passaram em minha vida no começo da minha jornada, e elas diziam não se importar com tal fato.
Ainda hoje lembro o horror causado quando a Fera resolveu mostrar sua verdadeira face àqueles pobres mortais. Como desejaria voltar e consertar este pequeno equívoco. Mas apenas a aridez mórbida da Dama Negra vem ao meu encontro para consolar as lágrimas gélidas que não caem mais.
Traduzo essa sensação como um karma que devo levar como fardo por muitas gerações e corro atrás de mim mesmo no ritmo frenético da própria civilização que se diz humana.
Felicito aos que conseguem ainda manter suas sanidades vendo as atrocidades que os próprios "homens" se degladiando por um mísero pedaço de carne, mas não por instinto de sobrevivência, e sim pelo mero prazer de mostrar poder e selvageria. Vou acabar com isso, beberei do sangue selvagem e deleitar-me-ei nos braços de minha fera interior.
Cálidos ósculos
Falkon, O Gangrel
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